Thursday, February 23, 2012

Frontal

Quando acordo chato sempre acho
Que é essa minha forma certa
De enxergar cá do meu lado
Passo largo de cansaço
A camisa eu amasso
A minha vista eu embaço
A comida me vomita
A vida é grande embaraço
Quando penso num abraço
Um sorriso ameaço
Mas vem logo o não-contato
Mordo feito lobo mato
Mato mato mato
Mato mato

Wednesday, February 22, 2012

Pedido humilde ou aflitivo

Será meu deus que é dos planos teus a minha libertação?
Alma na lama mergulhada
Afogada pelo peso do fogo
Do inferno parte minha prece
Que se apresse o socorro
Dói o coração

Livra-me de mim
Apegos dos meus desejos
Do desespero que cultivo
Semeado pelo que vivo
estou no estopim

Esse corpo quer sanar
A doença na mente criada
Como chuva derramada
No meu corpo atômico
Na minha existência celular
Do meu nascer cômico

Monday, February 13, 2012

Sábado

Tanto pano branco
Arranco um fio de linha

Tinha que ser algo grande
Quando aqui a pergunta
Não esclarece parir

Sem morrer sem ter medo de te ter
Sem querer abraça o som do calado

Um, dois, três, têm vezes seis.
Parece um outro mundo

Vem você, vem conosco entender.
A despesa que é tão aprender.

Amarrado, calado, envergonhado.
Outra rima para a alma tão tímida

Tuesday, February 07, 2012

Flocos

Todo homem precisa do claustro voluntário e da solidão
Longas caminhadas em total silêncio
Sem telefone, sem pensamento.
Cada vez menos, mas com mais intensidade.
Até finalmente chegar em si mesmo
Não pense, meu irmão, que eu adormeci.
Logo virá a explosão
Quando se quer demais algo
O ego do algo foge
Com vaidade e medo
Mas do que se falava mesmo?
Eu não sei.